Projeto Rachaduras Sociais

Segunda-feira, 13/01/2014
6ªcre – troféurioeduca.

O professor Marcelo Alves Teixeira, da E. M. Isaías Alves, desenvolveu com os alunos do 6º ano no segundo semestre de 2012, o projeto Rachaduras Sociais, cujo objetivo era despertar a consciência crítica dos alunos perante o meio em que vivem.

Esta reflexão foi baseada nos princípios e fundamentos da Constituição Nacional de 1988, destinada a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceito; fundada na harmonia social e comprometida com a solução pacífica das controvérsias.

Para que estes direitos se tornem uma realidade concreta na vida de seus alunos, a Escola Municipal Isaías Alves montou o Projeto Político Pedagógico Amor, vínculo de união que transforma o cidadão, visando a execução de práticas de virtudes essenciais na vida de qualquer indivíduo e /ou comunidade que deseje legitimar o exercício da cidadania.

Baseado no Projeto Político Pedagógico da Unidade Escolar, o professor de História Marcelo Alves Teixeira desenvolveu com os alunos do 6º ano o projeto Rachaduras Sociais. Um dos objetivos deste educador foi apresentar a Constituição Federal para seus alunos e discutir com eles sobre sua relevância; abrindo o caminho para o desenvolvimento crítico dos estudantes e para o seu crescimento enquanto cidadão.

Uma das preocupações do professor Marcelo era ajudar seus alunos a identificarem os fundamentos e os objetivos fundamentais da República Brasileira, contrastando-os com a realidade na qual estavam inseridos.

Só assim eles começarão a reconhecer a cidadania como a força motriz para a construção de uma nova realidade social, considerando e respeitando a diversidade do povo brasileiro.
Os objetivos propostos para o projeto Rachaduras Sociais contemplaram as seguintes habilidades presentes nas Orientações Curriculares para o 6º ano:

  • •ocalizar informações implícitas e explícitas em um texto;
  • •Inferir o sentido de uma palavra ou expressão;
  • •Estabelecer articulações diretas de fato / opinião, conflito / solução, causa / consequência e comparação / oposição;
  • •Ler e interpretar informações em tabelas e gráficos; analisar situações e perceber possibilidades;

argumentar a respeito das experiências dos regimes políticos e formular hipóteses que permitam compreender as “rachaduras sociais” que emperram o andamento do país.

Além das habilidades cognitivas citadas anteriormente, o projeto desenvolveu também habilidades não cognitivas:
capacidade de trabalhar em equipe, criando um espaço coletivo de resolução de problemas;
capacidade de priorizar e fazer escolhas acertadas de acordo com cada situação apresentada.
A ligação entre os objetivos e as habilidades ajudou a desenvolver valores tanto nos alunos como na
comunidade. Valores estes que não são coisas e nem simples ideias que adquirimos, mas conceitos que
traduzem as nossas preferências: justiça, igualdade, imparcialidade, cidadania e liberdade.
Nas favelas, no Senado… Sujeira pra todo lado
O ano era 1985, um misto de fé, esperança e alegria pulsava no coração dos brasileiros. Após anos de
regime hermético, os ventos de liberdade voltaram a ser sentidos e traziam a confiança em um futuro
melhor.
Em 1988, veio a confirmação dos novos tempos, a euforia tomou conta, a nova Constituição Federal havia
sido promulgada. Não restaram dúvidas: daquele ponto em diante teríamos uma nova estrutura social. Os
direitos estavam assegurados, a justiça e a igualdade seriam bússolas da caminhada do Brasil.
Ledo engano, 24 anos após a promulgação da nossa Carta Magna, o que se percebe é o abismo entre o que
está escrito e o que é oferecido aos nossos cidadãos. A todo instante vemos relatos e mais relatos do
“câncer” que destrói a nossa nação. A corrupção dita as regras, salvo raríssimas exceções, temos um total
desrespeito ao ser humano. O básico – saúde, educação e segurança – é oferecido, mas não como deveria
ser.
Um dos princípios do nosso direito consiste no fato de ninguém poder alegar desconhecimento da lei. Agora,
como explicar a inexistência da sociedade livre, justa e solidária prevista na Constituição Federal?
Conhecer a lei maior e exigir o seu cumprimento pode ser o primeiro passo para um amanhã realmente
promissor. Tornar a cidadania uma prática diária é a chave para a mudança no rumo que estamos seguindo.
A educação não é o único caminho, mas sem ela estaremos perdidos.
Pense nisso!
Rachaduras Sociais: uma casa construída sem alicerce
Na primeira etapa do projeto Rachaduras Sociais, o professor Marcelo Alves trabalhou em sala de aula
alguns artigos da Constituição Brasileira. Um debate orientado foi realizado sobre o significado das palavras
OBJETIVO e FUNDAMENTO. A resposta foi sendo construída a partir das explicações colhidas no dicionário e
a partir da vivência dos alunos. A pergunta motivadora para esta atividade foi O que acontecerá com uma
casa construída sem alicerce?.
Em seguida, foi feita uma explanação pelo professor Marcelo sobre a Constituição Federal, suas origens e
relevância, explicando como ela foi dividida. Dentro deste contexto, foram delimitados os artigos e incisos
que seriam usados no projeto.
O trabalho em campo foi a terceira parte do projeto. As comunidades próximas à escola foram visitadas e
fotografadas pelos alunos com suas discrepâncias. A todo o momento eles tentaram identificar as
rachaduras sociais que emperram o andamento do país. Os educandos verificaram que muitos dos direitos
descritos na Constituição não se refletiam em sua realidade.
Uma apresentação em Power Point foi confeccionada utilizando as fotos do trabalho de campo. É
importante ressaltar que as fotos foram precedidas do artigo constitucional que elas estavam contradizendo
ou confirmando.
Uma tenda foi montada em frente ao Shopping Jardim Guadalupe, na Avenida Brasil – altura de Guadalupe –
com o objetivo de entrevistar a comunidade para saber se as pessoas conheciam a Constituição. Também
foram entregues aos cidadãos cópias dos artigos trabalhados em sala de aula. Eles informaram aos
entrevistados um número de telefone do Senado que entrega gratuitamente uma cópia da Constituição aos
que solicitarem.
Esta ação foi a culminância do projeto, mas ele não se extinguiu aqui. Seus frutos cresceram! Ele se
estendeu pelos meses seguintes através de atividades concretas voltadas para a comunidade. A escola está
oferecendo, atualmente, Oficinas de Cidadania ministradas pelos professores da Unidade Escolar.
O projeto Rachaduras Sociais ganhou uma participação semanal em uma rádio comunitária. Eles estão na
grade da Rádio Edificar FM 99,3, toda segunda-feira, de 11h às 12h. Vale ressaltar que um site – Rachaduras
Sociais – está sendo construído para divulgar as ações do projeto.
A intenção do professor Marcelo e de toda equipe da Escola Municipal Isaías Alves, é fazer palestras,
durante todo o ano, para a comunidade e assim transformar a vida das pessoas desta localidade. Esta ação
já teve início e o resultado não poderia ser outro senão o SUCESSO!
Coração brasileiro não foge à luta
A realidade vivida pelos alunos e pela comunidade da Escola Municipal Isaías Alves é bem plural. Alguns
alunos vêm de comunidades que foram visitadas e outros não. Os que moram nos arredores da escola
sentem a revolta e a angústia por perceber o quanto estão sendo desrespeitados. Os que são de fora
sentiram o choque de realidade e compartilharam da mesma angústia dos colegas.
Contudo, o que mais chamou a atenção foi o fato deles terem se organizado e montado uma campanha para
doação de alimentos às famílias das comunidades visitadas. Eles foram de sala em sala compartilhando suas
vivências neste projeto e pedindo uma contribuição.
O trabalho em grupo foi estimulado com iniciativas que objetivaram melhorar a vida de todos e praticar o
cuidado com o bem público. A despeito de tudo, mostraram o coração brasileiro que não foge a luta e está
sempre pronto para dar a volta por cima.
Refletindo…
O projeto Rachaduras Sociais modificou a visão que alunos, professores e responsáveis tinham de si e do
mundo, além de estabelecer novos projetos de vida. Ficou concretizado o entendimento de que toda e
qualquer pessoa, independente de qualquer característica ou particularidade, deve ter todos os direitos
necessários para uma vida digna totalmente respeitada e assegurada.
Foi aprendido que a atuação de um bom cidadão começa com um bom dia, um muito obrigado, e pode
terminar com uma revolução coletiva, buscando o desenvolvimento da nação e do mundo.
Novos projetos de vida estão se moldando e eles se realizarão nas relações sociais e, a partir delas, surgirão
as mudanças necessárias para fortalecer os princípios da cidadania na sociedade.
Está na hora de colocar a mão na massa e lutar pela formação de uma cultura democrática na sua
comunidade, não acha? Vamos! Essa luta é minha, é sua, é nossa!
Parabéns ao professor Marcelo Alves pelo belo projeto desenvolvido com seus alunos! É um enorme prazer
divulgar o seu trabalho no Portal Rioeduca!
Professora Patrícia Fernandes – Representante do Rioeduca 6ª Cre
Facebook: Patrícia Fernandes
Twitter: @Paty_PFF
E-mail: pferreira@rioeduca.net