De Nova a  Velha: Salve Nilópolis!

Localizada no recôncavo fluminense, Nilópolis chega aos seus 70 anos de emancipação política, quando em 21 de Agosto de 1947, a pequena notável finalmente deixava de pertencer a Nova Iguaçu, e pela Lei estadual nº 67, art. 7º do Ato das Disposições Transitórias, promulgada a 20 de junho de 1947, através da emenda proposta pelo Deputado Lucas de Andrade Figueira, ganha finalmente a sua emancipação política administrativa. Mesmo com a injustiça histórica, antes com seus 22 quilômetros quadrados, que era a mesma da Fazenda de São Matheus, ficou reduzida a apenas 9 quilômetros quadrados, perdendo parte de seu território para Nova Iguaçu e São João de Meriti. Mesmo assim, ela não deixou de avançar em seu progresso.

Existe uma magia que encanta, que arrepia, fazendo seus habitantes sentirem orgulho de viver numa terra pequena, um lugar como outro qualquer, mas só quem mora aqui, pode descrever esse sentimento. Apesar de nova em seu batismo, esse chão tem mais de cem anos de histórias, fatos que impulsionaram o seu avanço como cidade até os dias de hoje.
Morada dos indígenas jacutingas, com seus adereços que carregavam penas brancas, símbolo da paz, representava um pedido de socorro e clemência, contra o primeiro genocídio promovido pelo “Homem Branco” nesta terra, que dizimou a maior parte desses índios e nos impediu de conviver e dividir este chão com a nossa real essência humana. Um lugar visto pelos coronéis e outros burgueses como um “paraíso”; era o pior lamento de vida aos primeiros negros que choravam sangue, numa segunda terra que passa a ser dominada pelos primeiros invasores da lei, que através de seus monopólios que anos depois, deixavam suas marcas em tudo e todos; deixando um campo coeso aos seus descendentes que passaram a ocupar lugar de destaque na política que se iniciava.
Esse próspero lugar, era o refúgio dos primeiros judeus, que fugidos do nazismo da Segunda Guerra Mundial, encontraram aqui, a oportunidade de reconstruir suas vidas e com isso, agregaram importantes avanços comerciais e econômicos nos seus primeiros dias de batismo. A Sinagoga Israelita se mantém de pé, para que não se perca esse registro de uma das fases de nossa História. Assim como a Capela São Matheus; ambiente de fé para os primeiros desbravadores da alta burguesia, e para os “Selvagens” sua escola de castigos.
Após 70 décadas de muita história, o povo desta terra ainda sonha com uma “Cidade Ideal”, pagando seus impostos e sofrendo com os altos índices de violência, que nos faz lembrar da “Idade das Trevas” de anos atrás. O que era para ser chamado de política pública, se tornou “Instrumento de Tortura”, pelo qual seus cidadãos sofrem, e pagam para ter serviços que não são retribuídos como uma obrigação constitucional. E quando se tem, poucos são contemplados. Vivemos numa cidade mágica pela sua cultura agregadora, que nos alegra em ouvir em sambas o nome de nossa terra, mas seria apenas esse o nosso motivo de orgulho?
Realmente nos tornamos um povo embriagado pelo samba. O samba é como uma cachaça que alivia nossas tensões, nos proporciona momentos de alegria passageira, e nos faz esquecer da condição sub humana a qual vivemos. Realmente quem trouxe esse remédio social para a nossa cidade é um gênio! O que seria dessa população, sem o samba que alivia suas dores emocionais e sociais? Sem isso, esse povo seria acometido por um suicídio coletivo.
Chegamos a mais um aniversário desta terra e o que nos dá orgulho é saber que se nós mesmos não cuidarmos de nossas vidas, ninguém cuidará. Em meio à promessas de campanhas de grupos “A” ou “B”, esse povo sabe que “utopia” não põe seu feijão na mesa, e enquanto houver Trem para a Central do Brasil, esse povo estará a salvo!
Parabéns a você, Nilopolitano! Parabéns por continuar lutando por sua família, por seu progresso pessoal. Que continua lutando pelos seus sonhos e buscando a realização deles.
O retrocesso desta terra se mantém pela hegemonia hereditária dos descendentes desses primeiros “Desbravadores” da extinta FAZENDA SÃO MATHEUS.