Projeto das Elites Brasileiras (Parte 2)

As elites brasileiras em seu projeto de manutenção do poder, com base na economia agro-exportação, são responsáveis em parte pela crise econômica que atravessamos. A dependência das exportações para manter a balança comercia brasileira em situação positiva, em 2015, bateu recordes. Entretanto, isto se deve ao fato do aumento do dólar, que faz os produtos do setor primário brasileiro mais atraentes aos compradores. Enquanto isso, as importações são prejudicadas, pois os insumos importados para os setores secundário e terciário estão mais caros. Com isso, uma parte das elites continua obtendo lucros e alegam que estão alavancando a economia.
Ao mesmo tempo, uma parte da elite, ligada à produção industrial, é prejudicada pela alta do dólar. Como consequência, ela se vê obrigada a cortar custos. Para isso o mais fácil é demitir funcionários, colocando no desemprego milhares de trabalhadores, contribuindo para o aumento da taxa do desemprego e diminuição do consumo. Esta diminuição do consumo aliada às quedas do preço do barril de petróleo no mercado internacional são os principais motivos da atual crise econômica. Como o Estado brasileiro, nas últimas décadas ficou dependente dos royalties gerados pela exploração do petróleo, que é um recurso do setor primário da economia, a queda dos preços gerou uma baixa na arrecadação de impostos e royalties. Assim, o Estado teve de cortar gastos, entenda-se cortar investimentos na economia real. Esses cortes freiaram a economia brasileira, pois de maneira drástica uma vultuosa quantia deixou de ser injetada na economia. Isto provocou uma reação em cadeia que estagnou o consumo, por causa do medo da crise.
Dessa forma, as elites lucraram com a crise e repassaram o prejuízo para a população brasileira, que teve de arcar com aumentos absurdos e uma inflação cada vez mais alta. Aliada a isso, estamos passando por uma crise política, engendrada pelos representantes das elites no congresso. Então, a crise econômica é colocada como responsabilidade da crise política, onde o executivo é colocado como culpado, já que foi dele a iniciativa de cortar os gastos com o objetivo de aumentar o superávit primário. Mas, o verdadeiro responsável pela crise é o modelo econômico adotado com base no setor primário imposto pelas elites. Novamente, quem paga a conta da crise é o trabalhador.

1http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1725612-por-crise-balanca-comercial-tem-superavit-de-us-197-bilhoes-em-2015.shtml