Mãos de Cunha

Eduardo Cunha está brincando com o Brasil! Esta foi a primeira coisa que venho à minha mente quando comecei a observar o nosso atual cenário político. Acredito que não sou o único a sentir um misto de revolta e dor por conta de tudo que está acontecendo, tenho a impressão de verdadeiramente está num circo de horrores. Todas às vezes que o Conselho de Ética tinha os seus trabalhos interrompidos eu me angustiava, meu senso comum no automático me fazia lembrar o bom e velho ditado: quem não deve, não teme. Se quem não deve não teme, Cunha deve está devendo alguma coisa, do contrário não se esforçaria tanto para impedir a sessão do Conselho de Ética que decidiria sobre a continuidade ou não do processo que vai investigar à sua postura parlamentar; por mais de cinco vezes o Presidente da Câmara dos Deputados travou os trabalhos do Conselho.

Agora, longe da paixão que o momento incita, analisando com um pouquinho mais de frieza a situação, eu sinto que de certo modo devo agradecer ao Senhor Eduardo Cunha, sim devo agradecê-lo pela aula de cidadania que deu a cada um de nós brasileiros, todas as vezes que ele conseguiu encerrar as reuniões do Conselho de Ética, ele o fez baseado, estruturado, embasado no Estatuto da Câmara dos Deputados, ele buscou todas as brechas jurídicas, aproveitou cada uma delas. Eduardo Cunha conhece minuciosamente o Regimento Interno da casa que preside; posso não concordar com nada do que ele diz, disse, fez ou faz, mas tenho que admitir que ele sabia bem o que estava fazendo e por isso obteve sucesso. Não fecharemos os olhos para as alianças políticas que ele tem, seus aliados tinham um discurso afinado com o dele, nem vou pensar que os aliados têm aquilo preso com ele.

As ações de Eduardo Cunha têm cheiro de legalidade, têm roupas de legalidade, têm jeito de legalidade, mas não têm a essência da ética. Ainda bem que elas foram parcialmente interrompidas, ainda bem que o Conselho de Ética votou pela continuidade do processo contra Cunha. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, ao que tudo indica Cunha e seus aliados reagirão, estão alegando que houve descumprimento das normas regimentais, mais uma vez ele fala do Regimento interno, mais uma vez ele se apóia na legislação e mais uma vez sou forçado a dizer: Obrigado Eduardo Cunha.

Obrigado por ter me feito olhar no espelho. Sou professor, já li algumas vezes a LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação), mas não a conheço minuciosamente. Enquanto funcionário público, já li os estatutos que regulam a minha vida funcional, mas não os conheço minuciosamente. Enquanto usuário do SUS (Sistema Único de Saúde), já li a lei 8080 (Lei do SUS), mas não a conheço minuciosamente, assim como não conheço minuciosamente a Cartilha do Usuário da Saúde lançada pelo Ministério da Saúde. Enquanto munícipe (aquele que mora em um município) eu nunca li a lei orgânica do meu município, não tenho a menor condição de opinar sobre nada. Enquanto cidadão brasileiro, eu já li a Constituição Federal de 1988 algumas vezes, mas vou confessar: ainda não a conheço MINUCIOSAMENTE!!!

Eduardo Cunha tem um desejo ardente pelo poder, não mede esforços para alcançá-lo, não vou considerá-lo culpado, ainda não há o trânsito em julgado do caso, mas está claro que ele deixou brechas (espero que elas sejam usadas contra ele) , está claro que ele passou por cima das leis, mesmo quando pareceu respeitá-las; esperamos que ele seja julgado e se possível condenado. Dura Lex, Sede Lex (A Lei é dura, mas é a Lei).

obs: as charges que ilustram este post foram retiradas da internet- fonte Google- dia 16/12/2015