RACISMO!!!

Quero começar estas linhas fazendo uma simples pergunta: o que vem a sua cabeça quando você ouve a palavra África? Fiz e faço esta pergunta constantemente aos meus alunos e infelizmente as respostas são EM SUA MAIORIA palavras de sentido negativo, exemplos: fome, miséria, doença, morte, escravidão, preconceito, racismo, seca e por aí vai. Quando pergunto se eles se consideram afrodescendentes, a maioria responde que não, acredito que não seja muito difícil entender o porquê desta negativa; quem quer sair de casa com a estampa de 100% MISERÁVEL? Ou 100% FAMINTO? Ou 100% DOENTE? Se a maioria das pessoas PENSA em África a partir de pontos negativos, afirmar-se afrodescendente é atrair para si toda a carga negativa que o imaginário social impõe à ÁFRICA e o ápice de toda esta negatividade é o RACISMO.

Racismo é um mal social e não uma condição biológica, não existe outra explicação. As teorias raciais nasceram para justificar a estratificação social, a segregação, vieram para apoiar a ideia de dominação de um grupo sobre o outro; sobram exemplos históricos para justificar o que estou dizendo, isso pôde ser observado nas Cidades-Estado da Grécia antiga (não se falava em raça naquele momento, mas tinham a noção de ancestralidade); no encontro dos mundos durante as grandes navegações (civilizados e não civilizados); no tão famoso fardo do homem branco durante o período neocolonialista (asiáticos e africanos que o digam) e no nazismo (Hitler não me deixa mentir).

Agora, por que estamos afirmando que raça é um conceito social e não biológico? Estudos científicos já provaram que o ancestral mais antigo da espécie humana surgiu e se desenvolveu no continente africano, estamos falando de mais ou menos 3,5 milhões de anos atrás. Quando o assunto é o homo sapiens (penúltima forma da evolução humana, segundo os cientistas), este surgiu na África há pelo menos 200 mil anos atrás e de lá partiu para povoar o mundo, seguindo os seus instintos, buscando comida, água e abrigo; éramos nômades, verdadeiros andarilhos. O início da humanidade se caracteriza na luta pela vida, pela sobrevivência, aqueles que não conseguiam se adaptar morriam, as gerações seguintes iam nascendo com as características biológicas que lhes permitiam uma melhor adaptação ao novo ambiente; dito isso, fica fácil entender a origem da diversidade dos fenótipos humanos, mas se fizermos um mapeamento genético, identificaremos em todos os grupos humanos os traços biológicos originários da ancestralidade africana.

Não se pode negar que África é berço, África é raiz, África é gênesis, África é vida, África é mãe, África é simplesmente o ponto de encontro entre as teorias religiosas e as científicas sobre a origem da humanidade. Quem não é AFRODESCENDENTE? Até os racistas o são.

Se eu um simples cidadão sei destas pequenas coisas que ousei compartilhar, cabe uma pergunta: a quem interessa manter o discurso sobre a separação racial? Não vou me omitir e direi sem titubear: o maior interessado em manter o discurso racista é o ESTADO. Enquanto nós nos enxergarmos como diferentes não existirá motivos para lutarmos juntos em prol do bem comum, a velha tática do dividir para conquistar. Sei que muitos devem estar achando que estou delirando, mas não se trata de nenhum devaneio, reforço a partir do que eu estou compartilhando aqui, já está provado à origem da humanidade, não existe motivo para o ESTADO continuar difundindo as teorias raciais, sim o Estado promove o sectarismo, ou alguém acha que é inocente as perguntas feitas pelo IBGE? A sociedade é mapeada de acordo com suas características Étnico- RACIAIS; o que vem escrito na sua certidão de nascimento? Tem ou não uma classificação por COR? O que dizer das COTAS RACIAIS? Não sou contrário a este tipo de ação afirmativa, as cotas são um instrumento necessário, importantíssimo para construirmos uma sociedade livre, justa e solidária, mas não aceito que esta reserva se fundamente em critérios raciais, dou total apoio às cotas sociais; reservemos espaço para todos aqueles que foram e são desfavorecidos, excluídos. O Estado nasceu para equilibrar, garantir o bem estar nas relações sociais, não posso conceber um ESTADO que promova o desequilíbrio. Está mais do que na hora de abolirmos oficialmente o uso do termo RAÇA. O discurso oficial tem que gerar o esquecimento oficial do termo RAÇA.

Não sou inocente ao ponto de achar que o RACISMO vai deixar de existir, os racistas estão espalhados em todos os níveis, sei que se trata de um problema social, por isso devemos resolvê-lo socialmente, cabe ao ESTADO tomar esta iniciativa: em primeiro lugar, não podemos mais aceitar o jeitinho brasileiro que enquadra o racismo como injúria racial, não importa se a agressão foi verbal ou física, racismo é racismo e ponto, a partir do momento que os racistas sentirem na pele os rigores da lei, eles repensarão suas práticas e condutas; racistas são criminosos e como tal devem ser tratados (abro um espaço para dizer o seguinte: o racista tenta a todo custo negar a sua afrodescendência, afirmam ser o que não são, ou seja, querem ter a todo custo a tão nefasta pureza racial). Em segundo lugar, o Estado deve extirpar oficialmente o uso do termo raça, o discurso oficial deve fornecer elementos agregadores e não o contrário; devemos valorizar a nossa raiz comum, a nossa origem comum, não importa que fora daqui as coisas continuem erradas, não importa que outras nações continuem a classificar os seus por critérios raciais, chega deste modelo falido, aqui nós faremos o que é certo. Ouço a todo instante que ninguém nasce racista, concordo e afirmo que devemos preservar esta pureza.

obs: as imagens que ilustram este artigo foram retiradas da internet- fonte Google- 06/12/2015