Dia da Amazônia

O dia 05 de setembro foi instituído pelo nosso Congresso Nacional como o dia da Amazônia. Por ser professor de Geografia, não poderia deixar este dia passar sem a merecida homenagem. Temos a maior floresta equatorial do planeta em nosso território, com uma taxa de preservação por volta de 80% da Floresta Amazônica original. Ela constitui-se numa grande reserva de água, pois abriga o maior rio do mundo em volume e extensão. Sem esquecer da sua biodiversidade, um recurso a ser explorado conforme os avanços da biotecnologia, muito mais lucrativo e importante que o pré-sal e seus royalties.
Contudo, nos últimos anos, estamos cada vez mais perdendo áreas da Floresta Amazônica em função do avanço da fronteira agrícola. Novas áreas são abertas à agropecuária, com o uso de uma técnica arcaica denominada de coivara, que consiste em retirar a vegetação nativa por meio da queimada. Esta técnica acaba com os nutrientes do solo, que já é pouco fértil, tornando-o improdutivo, porque, ao retirar a cobertura vegetal original, o solo fica expostos ao processo de erosão. Assim, em três anos uma área aberta por meio da queimada transforma-se em uma área improdutiva, dando início ao processo de desertificação. Então, os fazendeiros têm que abandonar a área antiga e queimar uma nova área para reiniciar suas atividades agropecuárias. Intensificando este processo de devastação da Floresta Amazônica.

Neste belo dia, quando consumimos a carne do nosso churrasco, não nos damos conta que ele contribuiu para a devastação da Amazônia. Quando abrimos a torneira não nos damos conta da importância da Floresta Amazônica como reguladora térmica do nosso planeta e de sua atuação dentro da dinâmica climática garantindo que ocorram chuvas dentro da América do Sul. Não lembramos que para cada brasileiro existe mais de uma cabeça de gado bovino, um animal com mais de 500 kg, consumindo recursos naturais (água e energia na forma de pasto), impactando muito mais que um brasileiro no ecossistema do planeta. Além disso, estas cabeças de gado emitem gás metano, um gás de efeito estufa, que juntamente com o CO2 das queimadas, colocam o Brasil na lista dos países que contribuem com o agravamento do efeito estufa, e consequentemente, o Aquecimento Global.

Assim, seguimos com a nossa contribuição ao Aquecimento Global. Olhamos para a Amazônia como um mar verde de recursos naturais inesgotáveis. Um bem tão precioso, sob a responsabilidade dos brasileiros cujos representantes, eleitos democraticamente, fazem questão de que lembremos, somente no dia 05 de setembro, deste inestimável bem natural. Pois, nos outros 364 dias do ano, fundamentados no latifúndio, base de seu poder econômico, continuam ampliando cada vez mais seus domínios territoriais. Já que são eles mesmos que se apropriam das terras devolutas da União. Roubadas a base de incêndios criminosos, consumindo áreas do tamanho de “Bélgicas”, vendidas ou exploradas para atender às necessidades de consumo crescente de uma nova classe média. Enriquecendo a velha aristocracia brasileira, travestida agora de atributos urbanos, centrada na cidade, pois os novos coronéis não precisam mais ir às suas propriedades, devido à difusão dos meios de telecomunicações. Comemorando, suas reeleições com churrascos homéricos, reproduzindo este circuito de destruição do patrimônio natural e alienação de uma população bestializada, mas cada vez mais feliz em poder comer churrasco.

Imagem do site: http://projetojogolimpo.blogspot.com.br/2010/06/novo-codigo-florestal-ambiente-em.html